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Perguntas Quão
frequente é o
lupus?
Têm-se diagnosticado cada vez mais casos de lupus nos últimos
anos, em parte porque se diagnosticaram melhor – os doentes e
os médicos estão mais atentos e informados -, mas também
porque poderá estar a aumentar a doença, como atrás
referimos.
Nos países nórdicos alguns estudos mostraram existirem,
no momento em que o estudo foi feito, entre 12,5
e 36,3 casos de lupus por cada 100.000 habitantes.
Não podemos dizer qual é a situação exacta
em Portugal, porque não há estudos adequados. Aliás
nos outros países latinos a situaçao é idêntica.
A Associação está envolvida num estudo epidemiológico
sobre o lupus ( é assim que se chamam estes estudos que pretendem
avaliar a frequência das doenças), pelo que é importante
que todos os doentes com lupus estejam inscritos na Associação.
Quem tem lupus?
Nove em cada 10 doente com lupus
são mulheres. Em especial
mulheres em idade fértil.
Esta constatação diz-nos que as hormonas femininas têm
uma grande importância no desenvolvimento do lupus.
Se eu tenho
lupus o meu filho pode ter lupus?
Não necessariamente. Numa família de um doente com
lupus é possível encontrar mais casos de doenças
autoimunes, mas apenas cerca de 3 a 8 % mais que noutra família.
Hoje em dia há um grande interesse no estudo de familiares de
doentes com lupus, especialmente daquelas famílias em que há mais
que um caso de lupus.
É
importante saber que a determinação genética – ou
seja, tudo o que herdamos do ponto de vista biológico dos nossos
antepassados -é importante mas não é tudo: só cerca
de 50 % dos gémeos verdadeiros com lupus têm também
esta doença. O que nos diz que a determinante genética é importante
mas não suficiente para que o lupus se manifeste.
Em suma, para além da genética e das hormonas são
importantes outros factores, como a exposição ao sol
e outros, como as infecções, para que o lupus tenha expressão
clinica.
Como se manifesta o lupus? Quais os sintomas?
O lupus pode manifestar-se
de várias maneiras pois, como atrás
referimos, o lupus pode envolver vários órgãos.
Mas podemos dizer que na maioria dos doentes a doença manifesta-se
por sinais a nível da pele – fotossensibilidade, ou seja
reacção exagerada da pele à exposição
solar, e eritema malar em asa de borboleta, ou seja manchas vermelhas
na área dos malares, ditas em asas de borboleta representando
o nariz do doente o corpo da borboleta – e a nível das
articulações, traduzida por dor com ou sem sinais inflamatórios:
calor, vermelhidão e inchaço localizados na articulação
dorida. Outros sinais podem ser a queda acentuada de cabelo ou feridas
na boca. Mais raramente o lupus pode manifestar-se logo de início
por envolvimento do rim – análises alteradas, albumina
na urina -, do cérebro – dores de cabeça diferentes
do habitual, alterações da personalidade, etc.-, pulmão – falta
de ar, derrame (liquido) na pleura ou no coração.
Há várias formas de lupus?
Há duas formas de
lupus
1) o lupus discóide que corresponde a uma expressão da
doença fundamentalmente a nível da pele, com as alterações
já referidas e outras mais características, com descamação
e que podem deixar alguma cicatriz, e
2) o lupus eritematoso sistémico (LES), que é o lupus
de que temos vindo a descrever e que pode envolver qualquer órgão
O lupus discóide pode em cerca de 30 % evoluir para a outra
forma.
Como se faz o diagnóstico de LES?
O diagnóstico de LES faz-se por um conjunto de sintomas e
sinais apresentados pelo doente e com a ajuda de determinadas análises.
Para que todos os médicos se entendam utilizamos um conjunto
de critérios definidos pelo American College of Rheumatology
e que passo a transcrever:
- Artrite (inflamação articular com sinais inflamatórios)
- Pleurite / Pericardite (inflamação nas pleuras e/ou pericárdio
-coração-, com derrame )
- Psicose / Convulsões (inflamação a nível do cérebro)
- Nefrite (inflamação envolvendo o rim)
- Fotossensibilidade ( reacção exagerada da pele ao sol)
- Eritema malar (manchas vermelhas no rosto )
- Lupus Discóide (lesões de pele com descamação)
- Úlceras orais (normalmente não dolorosas, ao contrário
das aftas)
- ANA positivo (análise de sangue: anticorpo antinuclear presente)
- Leucopenia / Linfopenia / Trombocitopenia /Anemia hemolitica (alterações
constatadas nas análises feitas aos globulos)
- ds-DNA+ / Falso VDRL+ / Anticardiolipina+ (alterações nas análises:
anticorpos que podem estar presentes; um deles, VDRL, refere-se a um teste
para a sífilis que pode dar falsamente positivo nos doentes com lupus).
Cada doente com lupus deve ter o seu tratamento individualizado. Quer
dizer que apesar de ser a mesma doença, cada doente é um
doente e pode ter, ao menos naquele momento, necessidades de tratamento
diferenciados.
Se o lupus está numa fase calma pode não necessitar de
nenhum tratamento apenas vigilância.
Se o problema é a fotossensibilidade a prevenção
da exposição solar e a utilização de um
factor de protecção solar podem ser suficientes. Se sua
gravidade é grande poderá utilizar-se a hidroxicloroquina
(Plaquinol) ou outros fármacos.
Se o problema são as dores articulares e osseas, deverá utilizar-se
algum dos muitos medicamentos antinflamatorios.
A hidroxicloroquina (Plaquinol) é também util nestes
casos, sendo importante lembrar que a acção deste medicamento
só começa a sentir-se semanas a meses depois de se começar
a tomar, o que quer dizer que se deverá continuar a tomar os
outros medicamentos, se não as dores não passarão.
Se o problema é o atingimento de outros órgãos
como a pleura ou o coração os antinflamatorios poderão
ser uteis, assim como os corticosteroides em dosagem mais baixa (menos
de 0.5 miligrama por quilo de peso). Aliás este fármaco – corticoides
ou cortisona - poderá ser igualmente util nalgumas situações
atrás descritas
Se há envolvimento de órgãos mais importantes,
como o rim ou o cérebro, poderão ser necessários
fármacos mais potentes, como os imunossupressores – assim
chamados porque diminuem a resposta imunológica - Ciclofosfamida,
Azatioprina ou Micofenelato Mofetil. Igualmente deverão ser
usados corticosteroides mas em dosagem mais elevada (mais de 0.5 miligrama
ou mesmo superior a 1 mg por quilo de peso)
É
fundamental que cada doente com lupus saiba o mais
que puder sobre a sua doença de forma a que possam ajudar o
médico a decidir pelo melhor tratamento. Cabe um importante
papel a cada doente na decisão sobre o seu proprio tratamento.
É
também importante saber viver com a sua propria doença.
Sabemos que não tem cura, como tantas outras doenças.
Há que saber viver com isso. Demasiado stress não é bom
para o lupus. Tristeza a mais não é bom para o lupus.
Autocomiseração, demasiada pena de si próprio
não é bom para o lupus! Há que saber encontrar
a medida exacta: preocupar-se sobre a própria doença,
de forma a procurar informar-se sobre ela é importante, mas
preocupar-se demasiado de tal forma que essa preocupação
prejudique o dia-a-dia não é bom.
Qual é o prognóstico
do lupus?
Depende
de muitos factores. Como dissemos atras, há lupus “mais
bonzinhos” que outros. Não temos ainda maneira de identificar
claramente quem são os doentes em risco de terem lupus mais
graves. Mas sabemos que um acompanhamento regular em centros adequados
poderá resultar em diagnósticos e tratamentos das situações
mais graves precocemente e assim obter melhores resultados.
Como atrás dissemos, mesmo o lupus mais grave pode, espontaneamente
ou por acção dos medicamentos passar a ficar não
activo e o doente sem doença, eventualmente durante muitos anos.
Sabemos, também, que há 20 anos atrás uma percentagem
apreciável dos doentes com lupus faleciam antes de 10 anos de
evolução da doença e que na actualidade grande
percentagem dos doentes está viva ao fim de 20 anos. O que quer
dizer que o tratamento que se tem feito tem dado resultado! No entanto é ainda
uma doença grave, com elevado potencial de mortalidade e que
exige um acompanhamento muito de perto em centros com experiência.
Sabemos, ainda, que estão a desenvolver-se novos medicamentos,
alguns deles já em fase de ensaios clinicos – a que os
doentes portugueses poderão eventualmente ter acesso -, e que
poderão ter um efeito mais especifico contra o lupus. Também
aqui a Associação pode ter um papel fundamental na defesa
dos doentes portugueses com lupus ao pugnar pela incorporação
do nosso pais nestes estudos internacionais.
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